Março 31, 2004
Às vezes eu acho que devia pensar menos
Eu acredito que todos nós somos pessoas muito intuitivas. Alguns de nós apenas têm mais facilidade pra reconhecer o que é intuição. E isso não nos torna mais sábios, como minha vida prova isso. Tratando-se de certas coisas, mais especificamente os homens que eu amo, eu simplesmente sei. Não é nada dramático como em "O Dom da Premonição", mas minha intuição sempre está lá presente. Eu simplesmente sei algo, do mesmo jeito que eu sei a cor da minha cueca, ou quantas vezes por dia eu entro e saio invariavelmente por uma porta.
É um processo extremamente complexo. Digo, pode não acontecer exatamente igual ao que eu previ, mas de alguma forma, há uma relação. Quando minha mãe estava grávida de mim, ela tinha certeza que era uma menina. Nem sequer escolheu um nome pro caso de nascer um menino. Vc pode achar que seu instinto estava errado, mas considerando o fato que eu sou gay, e passo perfurme várias vezes por dia, não acho que ela errou tão feio. Talvez minha vagina seja imaginária, mas sério, ela está aqui em espírito.
E o que eu sei hoje é bem perturbador. E é que eu só começo a despertar interesse pelos caras cafagestes e que me tratam mal. Como O Esperma. Como O Cobaia. E atualmente, com O Pinto da Minha Vida. E o pior, é que eu aceito esse tratamento. Eu aceito ser tratado assim. Eu sou teimoso, quando deveria esquecê-lo, e procurar alguém que goste realmente de mim.
Estou começando a acreditar que eu sou uma daquelas pessoas que vc conhece e ama, mas quer desesperadamente bater com um bastão de beisebol na sua cabeça por ser um retardado mental quando se trata de homens. O que eu posso fazer? Bem, a resposta é simples, e foi dada a mim milheres de vezes.
"Esqueça ele. Siga em frente. Ache alguém melhor."
Mas será que eu esqueci ele? Segui em frente? Achei alguém melhor? Será que eu sequer tentei procurar por outro? Não, não, não, e não.
É uma teimosia psicótica. Quando eu tinha 8 anos, eu frequentei um psicólogo. Queixava-me que sofria uma psicose, que depois acabaram descobrindo que não era de fato uma psicose, porque eu não tinha racionalização alguma sobre o processo e o comportamento dos meus pensamentos. Eu sabia que eles eram inofensivos, mas ainda assim, eram estranhos. Não tão estranhos como escrever meu nome na parede com cocô, mas estranhos no sentido de gritar, chorar, e acender e apagar a luz 15 vezes seguidas, com a intenção de convencer todo mundo de que, eu não era apenas o menino mais bonito do mundo, como também minha vida devia ser perfeita em todos os sentidos.
Não é preciso mencionar a quantidade de lâmpadas que sofreram com essa minha histeria.
Então, dessa vez, decidi que não vou ser teimoso. Dessa vez, vou me amar.
Se quer ir embora, vai.
mais uma vez alguém posta pro Pilo pq ele nao consegue... acho que ele anda bebendo água da privada....! =P Tato
postado por: Pilo 1:33 PM | Comments
Março 26, 2004
Pilo, um homem que não tem medo de perder leitores
Sério, eu só queria postar esse link.
De agora em diante, minha flatulência será seguida de "Hello!"
Mentira, eu nunca solto gases. É muito grosseiro.
postado por: Pilo 9:43 PM | Comments
Março 24, 2004
Agora vcs me dão licença, porque eu vou conversar com a minha mão
Querida mão,
Vc sempre me apoiou, e é exatamente essa a razão que isso é tão difícil. Vc sempre foi meu braço direito, literalmente, por anos e anos. Desde quando eu tive minha primeira e pequenina ejaculação. Vc nunca virou as costas pra mim, e nunca se incomodou quando eu quis ficar em casa de pijamas ouvindo músicas tristes, ao invés de ir ao cinema.
Vc sempre me deu o que eu quis, sem que eu cobrasse verbalmente por isso. Vc sempre foi gentil, e ocasionalmente dura, quando precisava ser. Vc sempre soube o ritmo certo e onde eu gostava de ser tocado.
Havia vezes que vc focava sua atenção em outro lugar, mas vc sempre vinha comigo pra casa. De noite, quando eu não conseguia dormir, vc era melhor que leite quente (ha ha). De manhã, quando eu lhe desejava, mas estava com muita preguiça, vc nunca ficou de cara feia durante o resto do dia. Vc sempre esperou até que eu tivesse tesão.
Nós nunca precisamos usar camisinha, ou preocuparmos com o constrangimento da manhã seguinte. Vc não se importou que eu não gostava de dormir abraçadinho. E nunca se ofendeu quando eu quis tomar banho logo depois do... logo depois. Vc até me perdoou quando eu prefiri usar um brinquedo ao invés de vc.
Nos últimos meses, vc tem sido extremamente útil. Me manteve fora de qualquer encrenca, mas não me repreendeu nas ocasiões que eu procurei por ela. Vc me fez feliz.
Mas agora, infelizmente, eu me cansei de vc. E de todas as coisas que vc pode fazer. Elas não superam mais as coisas que vc não pode fazer.
Apesar de vc sempre estar junto comigo, vc não tem sido suficiente. Vc não pode acariciar minhas costas até que eu adormeça. Vc não pode me abraçar. Vc não pode me amar. Vc apenas pressiona os botões que eu que quero no controle remoto.
Eu nunca tive que buscar-lhe quando seu carro quebrou. Eu nunca tive que conhecer seus pais. Vc não tem histórias para me contar, e nunca responde às minhas.
Eu não posso brigar com vc por beber direto da garrafa. Eu não posso massagear suas costas. Eu não posso fazer um moicano no seu cabelo enquanto tomamos banho.
Vc pode me alimentar, mas vc nunca me levou pra jantar.
Eu gostaria de dizer que a nossa relação é o bastante para mim, mas não é. Quando penso hoje em todas aquelas vezes que eu me senti triste e magoado como alguém, eu chego a conclusão de que, pelo menos, aqueles sentimentos me faziam sentir vivo. Uma vez eu cheguei a pensar que eu jamais sentiria de novo a falta da boca de um homem, da barba cerrada, das discussões, e de um sentimento romântico casual. Isso tudo sempre acaba me chateando, mas agora, eu sinto falta disso mais do que qualquer outra coisa que vc possa me fazer.
As circunstâncias atuais me dizem que eu devo aprender a conviver com vc pelo resto da minha vida, mas saiba que não estou satisfeito só com o prazer que vc me traz. Saiba que meu coração anda procurando por um outro alguém, e que nós dois vamos romper nosso compromisso. O quanto antes, melhor.
postado por: Pilo 6:47 PM | Comments
Março 22, 2004
World peace
Hoje foi o primeiro dia que eu acordei para ir na faculdade, e me senti realmente bem. Não esporadicamente bem, ou forçadamente bem, nem falsamente bem, e muito menos "quem sabe eu veja o gostosão hoje" bem. Realmente bem.
Aliás, não só hoje, mas nos últimos dias, eu não estou me reconhecendo.
Eu tenho sorrido.
Quando eu fiquei 2 horas tentando conectar hoje, eu não chorrei, só desliguei o computador calmamente e fui jogar mais vídeo game com meu sobrinho.
Quando o carinha estranho da faculdade me despiu com os olhos, eu o deixei. Até levantei um pouco a camiseta para ele.
Enquanto voltava para casa, eu pensei até em assediar um policial muito bonito. Mas daí eu desisti quando considerei os contras, e na quantidade de dinheiro que poderia ser desperdiçada num projeto assim.
Hoje, especificamente, me senti feliz. Feliz comigo mesmo. Feliz com a minha rotina.
E eu tenho fé que isso não é apenas uma fase. Eu fiz planos pra semana inteira. Eu já decidi o que fazer com meu cabelo. Quem sabe, eu até tome banho.
E daí que eu quebrei minha unha e agora está em carne viva? E daí que eu não tenho saído aos sábados, deixando de me passar por idiota junto de meus amigos ? E daí que eu já vi esse episódio do Friends umas 10 vezes nesse mês? Qual é o problema? As unhas crescem. Se passar por idiota ocasionalmente é muito mais saudável. E Matt Le Blanc é gostoso o bastante para reprises (adicionei isso só pelo efeito, discordâncias não são necessárias.)
Quem sabe, talvez amanhã eu corra pelado pela praia. Talvez eu grave um vídeo com uma mensagem pro meu sobrinho para quando ele fizer 18 anos. Talvez eu grave um vídeo fazendo um ato sexual solo para o aniversário de alguém que está chegando. Talvez eu coma bolacha deitado na cama, e assista Chaves. A vida ainda é boa.
postado por: Pilo 8:25 PM | Comments
Março 16, 2004
Piscando em câmera-lenta ou apenas retardado?
Enquanto estava comprando livros pra faculdade ontem, eu percebi um cara muito bonito olhando para mim. Olhando para mim, o tempo todo, com um olho aberto e outro fechado.
Mais tarde, com ajuda do espelho do banheiro, cheguei a conclusão que eu pareço exatamente igual com os dois abertos, ou um fechado.
update: Um amigo me disse que quando vc está dirigindo bêbado e vendo tudo duplamente, a solução é fechar um olho. E o incrível é que funciona! Então, talvez seja isso que aconteceu com o cara. Ele me achou interessante, mas dois de mim era areia demais pro caminhãozinho dele.
postado por: Pilo 2:16 PM | Comments
Março 12, 2004
Um gatinho chamado "Merda"
Pilo, 22, para Fábio, seu sobrinho: Qual o nome do gatinho, hein?? Me diz, Fabinho, qual o nome do gatinho??
Fábio, 5, para Pilo, seu tio: am... m-merda?
postado por: Pilo 1:00 PM | Comments
Março 10, 2004
Notas do Cientista
A Cobaia exibe 3 personalidades distintas, cada uma observada cuidadosamente através de 3 mensagens consecutivas deixadas no celular do Cientista.
Mensagem #1: A Cobaia tenta parecer indiferente e despreocupado com a falta de ligações do Cientista:
*piii*
Oi João, aqui é o *meu ex*. Só queria saber como vc está. Se puder, me dá ligada. Beijo.
*click*
Mensagem #2: A Cobaia finalmente desmonstra sua frustração ao Cientista:
*piii*
Joãooooo... vc vai me ligar ou não? Me liga aí, se quiser.
*click*
Mensagem #3: A Cobaia começa a mensagem notavelmente irritada. Então, prossegue simulando melancolia, na esperança que o Cientista seja facilmente manipulado a sentir-se a pior pessoa do mundo. O Cientista, a seguir, percebe o hábito da Cobaia de tentar sempre passar-se por vítima:
*piii*
JOÃO. Terça-feira. Me liga. Eu não sei porque vc está me evitando. Eu simplesmente... não sei por que... vc me liga, diz que ainda pensa em mim... e depois me evita... Poxa, me liga.
*click*
Mais tarde, o Cientista pensa, enquanto escreve em seu blog, que talvez esse caso particular de tentar evitar o ex, simplesmente signifique que o Cientista desenvolveu uma vida nova fora do laboratório, e não é mais tão completamente fascinado pela Cobaia.
Apesar de que, o Cientista também nota que ele foi tornando-se menos objetivo durante a experiência, e na verdade, acabou criando um pequeno ressurgimento dos sentimentos que sentia pela Cobaia nas profundezas obscuras do seu coração.
O Cientista sente vergonha. Mas nada irá impedi-lo de continuar seus estudos, na esperança de achar um jeito de esquecer a Cobaia. E isso é uma puta mentira, porque a verdade é que a Cobaia é o único cara com que o Cientista quer transar.
postado por: Pilo 3:18 PM | Comments
Março 4, 2004
postado por: Pilo 1:31 PM |
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Março 1, 2004
postado por: Pilo 11:33 AM |
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Lírios
Havia uma exposição de arte bem famosa em SP, e minha mãe estava louca para ir. Ela e minha avó, ambas pintoras, sempre iam em museus, galerias de artes e verniságes juntas. Era algo só das duas. Eu não era exatamente bem-vindo porque, quando pequeno, eu tinha que tocar em tudo.
Bem, minha avó já havia morrido há alguns anos, então é claro que eu fui com minha mãe. Na verdade, arte sempre foi como poesia para mim. Eu posso olhar, olhar e olhar, mas nunca consigo enxergar a profundidade que muitas pessoas conseguem.
A princípio foi um passeio meio depressivo. Magoa minha mãe visitar exibições de arte, ver todas essas pinturas originais, e não ter minha avó para apreciá-las com ela. Claro que minha mãe me ama e gosta da minha companhia, mas as duas sempre compartilharam essas coisas juntas. É uma parte que eu tentei imitar, mas nunca consegui de verdade.
Ela repetiu várias vezes como ela gostaria que minha avó estivesse ali com ela. Eu meio que só a acompanhava, olhando para alguns quadros de flores. Na metade da nossa visita, por alguma razão, minha mãe decidiu compartilhar seus pensamentos comigo. Ela tentou fazer eu compreender algo que ela sabia que eu não estava entendendo.
"Esses são muito sexuais."
Eu? Eu estou olhando para lírios e mais um monte de merda, e pensando como diabos eles eram sexuais, se não havia nem pessoas nos quadros (eu tinha 13 ok? Ainda faltava um ano para eu usar meu pênis além de urinar). Eu acho que a perguntei o que ela quis dizer, porque eu me lembro dela apontando para cada detalhe do quadro.
Em como uns desenhos pareciam pintos e bolas (minhas palavras, não dela), e outros pareciam ovários e úteros (palavras dela, não minhas).
Ela me leva nessas exibições desde então. Mas um coisa sempre me chamou a atenção: minha mãe e eu nunca tivemos a mesma sintonia na interpretação das artes. Pelo menos, não como ela tinha com a minha avó. Talvez seja porque nós pensamos tão diferentemente. Não sei. O que eu sei é que sempre que andamos pelos corredores de algum museu ou galeria de arte, há sempre o silêncio.
Bem, exceto por, "Onde vc quer almoçar?"
E eu acho que sempre tive um pouco de inveja disso. Antes da minha avó morrer, minha mãe era apenas minha mãe. Na época eu nunca pensei que precisássemos de um laço específico para nos unir. Mas daí minha avó morreu e nós nos grudamos. Nos agarramos como se não soubéssemos quando a tempestade fosse acabar e qual seria a próxima perda.
Eu sempre quis descobrir algo dela como pessoa, não só como mãe. Algo complexo. Inteligente. Algo que eu soubesse que o cordão umbilical não fosse a única coisa que nos manteve juntos.
E eu ainda acho que algum dia eu descobrirei isso. Algo que vai nos conectar como pessoas.
E nesse dia, não precisarei andar por esses corredores e dividir essa expêriencia com mais ninguém.
Do nada, começamos a falar sobre mim. Tente imaginar.
Eu disse a ele que eu "dei uma maneirada" na minha vida, para que eu pudesse achar minha felicidade nas coisas simples da vida, nas coisas do dia-a-dia.
Nesse exato momento, ele levantou-se de supetão e sumiu pela casa.
Eu pensei que talvez eu tivesse cuspido nele sem querer.
Ele voltou com uma carteira velha e disse, "Eu guardei isso desde a época da escola."
Era um papelzinho daqueles biscoitos chineses da sorte.
"Vc acha beleza nas coisas do dia-a-dia. Nunca perca essa habilidade."
Eu olhei para ele, e ele pra mim... e foi isso.
